A SpaceX viu suas ações derreterem na Bolsa de Nova York nesta sexta-feira (17), num movimento que já coloca a empresa a caminho de perder mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado frente ao seu pico histórico. O gatilho foi o cancelamento, de última hora, do 13º voo de teste do foguete Starship, projeto que sustenta boa parte da narrativa de crescimento da companhia, incluindo sua incursão recente no setor de inteligência artificial.
Os papéis, negociados sob o código SPCX, caíram mais de 6% na abertura do pregão americano e, mesmo recuperando parte do terreno perdido ao longo do dia, seguiram pressionados. Com isso, o valor de mercado da SpaceX recuou para a casa de US$ 1,6 trilhão, ante os cerca de US$ 2,6 trilhões atingidos pouco mais de um mês após sua estreia em Bolsa.
Por que as ações da SpaceX caíram nesta sexta-feira
O estopim da queda foi técnico. A SpaceX abortou, ainda na contagem regressiva, a 13ª tentativa de lançamento da Starship a partir da base de Starbase, no sul do Texas, depois que parte dos motores Raptor do propulsor Super Heavy não completou a sequência de ignição. Segundo publicação do próprio Elon Musk em sua rede social, dois motores precisarão ser substituídos antes de uma nova tentativa, prevista para o início da próxima semana.
O adiamento frustrou expectativas do mercado, que via no teste um catalisador importante para reverter a trajetória negativa das ações desde o IPO. Com o recuo, os papéis da SpaceX passaram a ser negociados abaixo do preço da oferta pública inicial, fixado em US$ 135, acumulando queda superior a 18% desde a estreia em 12 de junho, a quinta sessão consecutiva de perdas.
O impacto também atingiu o patrimônio pessoal de Musk. Estimativas voltadas à cobertura de bilionários apontam uma redução próxima de US$ 45 bilhões em um único dia na fortuna do empresário, que segue, ainda assim, no topo do ranking mundial de pessoas mais ricas.
Contexto: da estreia recorde na Bolsa à entrada no Nasdaq-100
A trajetória da SpaceX no mercado acionário é recente, mas turbulenta. A companhia estreou na Bolsa americana no dia 12 de junho, protagonizando a maior oferta pública inicial da história, avaliada em torno de US$ 1,75 trilhão no momento do IPO. Nos primeiros dias de negociação, as ações chegaram a disparar quase 20%, elevando o valor da empresa a patamares recordes e projetando Musk como o primeiro trilionário da história.
O otimismo inicial foi reforçado, no início de julho, pela inclusão da SpaceX no Nasdaq-100, movimento que costuma atrair fluxo relevante de fundos passivos e institucionais. Bancos de investimento também passaram a cobrir o papel com recomendações favoráveis: o preço-alvo médio para os próximos 12 meses gira em torno de US$ 235, e casas como Raymond James chegaram a projetar valores ainda mais altos para a ação.
Apesar disso, o desempenho recente tem decepcionado. Parte da tese de investimento da SpaceX está ligada não apenas ao negócio tradicional de lançamentos, como os foguetes reutilizáveis Falcon 9, mas também a uma aposta ambiciosa em inteligência artificial: o desenvolvimento de data centers no espaço, voltados a atender um mercado que a própria empresa estima em US$ 26,5 trilhões. Qualquer tropeço no cronograma da Starship, considerada peça central dessa estratégia, tende a repercutir diretamente na avaliação da companhia.
Impactos para investidores, concorrentes e o setor espacial
Para investidores institucionais e de varejo que compraram ações no IPO ou logo após ele, o cenário atual significa que a posição já opera no vermelho, já que o preço de mercado está abaixo do valor pago na oferta. Isso tende a aumentar a volatilidade dos papéis nas próximas semanas, especialmente às vésperas de cada nova tentativa de lançamento da Starship.
Do ponto de vista estratégico, a queda da SpaceX é observada de perto por outras empresas do setor espacial e por companhias que também buscaram capitalizar a onda de interesse por IPOs ligados à inteligência artificial. Um tombo acentuado no valuation de uma empresa como a SpaceX pode esfriar o apetite de investidores por novas aberturas de capital que combinem tecnologia espacial e IA, tema que vinha ganhando força em Wall Street.
Bancos de investimento, por outro lado, já colheram parte dos frutos dessa efervescência: o segundo trimestre deste ano registrou a maior receita com assessoria em ofertas de ações desde 2021, impulsionada justamente por operações como a da SpaceX. Mesmo que o papel continue oscilando, esse ganho já foi contabilizado pelos bancos que estruturaram a oferta.
Para profissionais do setor aeroespacial e de data centers, o episódio reforça um ponto recorrente: cronogramas de testes de foguetes, especialmente de um veículo tão complexo quanto a Starship, com 33 motores no estágio Super Heavy, seguem sujeitos a atrasos técnicos, mesmo em empresas com histórico consolidado de lançamentos bem-sucedidos com o Falcon 9
O que esperar dos próximos movimentos da SpaceX
A SpaceX já sinalizou que pretende tentar novamente o 13º voo de teste da Starship no início da próxima semana, após a substituição dos motores danificados. Um lançamento bem-sucedido tende a funcionar como gatilho para uma recuperação, ainda que parcial, da confiança do mercado. Já uma nova falha reforçaria as dúvidas sobre o ritmo de desenvolvimento do programa e sobre os prazos para que a Starship se torne operacional em escala, tanto para missões comerciais quanto para o programa lunar da Nasa, que depende do foguete em sua versão de pouso tripulado.
No radar de analistas, seguem dois pontos centrais: a evolução técnica da Starship e o avanço concreto, para além do discurso, da estratégia de data centers espaciais ligados à inteligência artificial. Enquanto essa segunda frente ainda é incipiente, é o desempenho do programa de foguetes que deve continuar ditando o humor do mercado em relação às ações da SpaceX no curto prazo.
Também vale acompanhar o comportamento de outras companhias recém-listadas do setor espacial e de tecnologia, já que o episódio da SpaceX pode servir como termômetro para o apetite geral de investidores por ativos de alto crescimento e alta volatilidade em 2026.
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Fonte de referência: InfoMoney
Matéria produzida pela Redação Brasil Tech News com base em informações publicadas originalmente pelo veículo citado.
Assinatura: Redação Brasil Tech News