A Meta Platforms anunciou a construção de um novo data center avaliado em cerca de US$ 9 bilhões na província canadense de Alberta. O empreendimento, batizado de Sturgeon Data Centre, será erguido em Sturgeon County, região a cerca de 35 quilômetros a nordeste de Edmonton, e marca a primeira instalação da empresa em solo canadense. Segundo executivos da companhia, trata-se também da maior estrutura da Meta fora dos Estados Unidos, reforçando o apetite da big tech por capacidade computacional dedicada à inteligência artificial (IA).
O anúncio foi feito durante evento em Calgary, com a presença da primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, e de representantes da Meta responsáveis pela expansão global de data centers. As autoridades locais classificaram o projeto como um dos maiores aportes privados já registrados no país.
Escala e características técnicas do novo data center da Meta no Canadá
O Sturgeon Data Centre ocupará uma área aproximada de 269 mil m², o equivalente a mais de 400 campos de futebol, dentro de um terreno ainda maior, de cerca de 700 hectares. A instalação foi projetada para operar com capacidade de até 1 gigawatt (GW), volume de energia comparável a uma fração relevante do consumo elétrico total da cidade de Edmonton.
Para viabilizar esse fornecimento, a Meta fechou parcerias com empresas de energia da região, incluindo a Greenlight Limited Partnership, a AltaLink, a Capital Power e o operador do sistema elétrico da província, o Alberta Electric System Operator (AESO). Parte da eletricidade virá de uma nova usina termelétrica a gás natural, a Greenlight Electricity Centre, desenvolvida pela Pembina Pipeline em parceria com outros investidores, com previsão de entrada em operação até o fim de 2030. Enquanto isso, a Capital Power fornecerá 250 megawatts ao empreendimento por meio de um contrato de longo prazo.
Do ponto de vista ambiental, a empresa destacou que o resfriamento será feito por um sistema de circuito fechado com torres de resfriamento a seco, o que, segundo a Meta, elimina o consumo operacional de água voltado ao processo de refrigeração dos servidores. A companhia também afirmou ter meta de se tornar “água-positiva” globalmente até 2030, restaurando mais água do que consome nas bacias hidrográficas onde opera.
A construção deve gerar cerca de 3 mil postos de trabalho no auge das obras e manter mais de 300 empregos permanentes após a entrada em operação, prevista para dali a dois ou três anos. A Meta também prometeu investir cerca de CA$ 60 milhões (em torno de US$ 42 milhões) em melhorias de infraestrutura local, como estradas e sistemas de abastecimento de água, além de lançar um programa de doações para organizações comunitárias da região.
Corrida global por infraestrutura de IA ganha novo capítulo
O investimento em Alberta se insere em um movimento mais amplo do setor de tecnologia: a disputa global por capacidade computacional para treinar e operar modelos de inteligência artificial. Nos últimos anos, gigantes como Microsoft, Google (Alphabet) e Amazon aceleraram investimentos bilionários em data centers para sustentar produtos de IA generativa, serviços de nuvem e cargas de trabalho corporativas cada vez mais pesadas.
A Meta, especificamente, projeta um orçamento de capital que pode chegar a US$ 145 bilhões neste ano, direcionado majoritariamente à expansão de sua infraestrutura de computação. O Sturgeon Data Centre é descrito pela empresa como seu 33º data center em operação ou construção ao redor do mundo, e passa a ser referência de escala para os empreendimentos fora do território americano.
A escolha de Alberta não é acidental. A província vem se posicionando ativamente para atrair investimentos em data centers, oferecendo energia relativamente barata, disponibilidade de gás natural, clima frio (que favorece o resfriamento das instalações) e um ambiente regulatório considerado ágil pelo setor. O governo provincial chegou a mencionar a expectativa de atrair até CA$ 200 bilhões em investimentos potenciais na área de data centers nos próximos anos.
Esse tipo de disputa por infraestrutura, no entanto, não é exclusividade canadense. Diversas regiões ao redor do mundo, incluindo estados americanos e países com matriz energética competitiva, vêm sendo avaliadas por empresas de tecnologia como possíveis sedes de novos data centers, em um cenário de demanda crescente por poder computacional.
Impactos para o mercado, empresas e comunidades locais
Para o mercado de tecnologia, o anúncio reforça a tendência de que a infraestrutura física, e não apenas os modelos de IA em si, se tornou um dos principais campos de disputa competitiva entre as grandes empresas do setor. Ter capacidade própria de processamento é hoje um diferencial estratégico tanto para rodar produtos internos quanto para eventualmente oferecer serviços de computação em nuvem a terceiros, área na qual a Meta já avalia entrar de forma mais ativa.
Para fornecedores de energia, equipamentos e serviços de construção, projetos dessa magnitude representam contratos relevantes e de longo prazo, com efeitos econômicos que se espalham pela cadeia de suprimentos local. Já para profissionais da área de engenharia, construção civil e operação de data centers, esse tipo de investimento tende a aumentar a demanda por mão de obra especializada na região.
Por outro lado, o crescimento acelerado desse tipo de instalação também tem gerado resistência em diferentes localidades. Moradores e organizações ambientais têm questionado o consumo elevado de energia dos data centers, o risco de pressão sobre as redes elétricas locais, o eventual repasse de custos às contas de luz da população e o número relativamente pequeno de empregos permanentes gerados em comparação ao porte dos investimentos. Casos recentes em outras províncias canadenses, como a paralisação de um projeto em Manitoba e a pausa temporária no desenvolvimento de data centers aprovada por um município de Ontário, ilustram esse tipo de tensão entre atração de investimentos e preocupações da população local.
Especialistas em política energética também têm chamado atenção para a dependência de fontes fósseis em parte desses novos projetos. Como a geração adicional de eletricidade planejada para abastecer o data center da Meta em Alberta terá forte componente de gás natural, organizações ambientais argumentam que a estratégia prioriza soluções de curto prazo em detrimento de fontes renováveis, mesmo em uma região com potencial para energia eólica e solar.
Próximos passos e tendências para o setor de data centers
A expectativa é que o Sturgeon Data Centre comece a operar dentro de dois a três anos, à medida que a construção avança e a infraestrutura energética de apoio, incluindo a usina termelétrica da Greenlight, seja concluída. Enquanto isso, o mercado deve acompanhar de perto como a Meta equilibra seus investimentos bilionários em infraestrutura com a pressão de investidores por resultados mais claros no campo da inteligência artificial, já que a empresa segue atrás de concorrentes como OpenAI, Google e a própria Anthropic em termos de modelos de ponta.
Também é provável que outras províncias e países intensifiquem esforços para atrair projetos semelhantes, ampliando a concorrência internacional por grandes centros de dados. Ao mesmo tempo, cresce a tendência de que exigências ambientais, transparência sobre consumo de recursos e diálogo com comunidades locais se tornem critérios cada vez mais relevantes para a aprovação desse tipo de empreendimento, tanto no Canadá quanto em outras regiões que buscam se posicionar como polos de infraestrutura para inteligência artificial.
Créditos
Fonte de referência: O Globo
Matéria produzida pela Redação Brasil Tech News com base em informações publicadas originalmente pelo veículo citado, com dados complementares de fontes internacionais.
Assinatura: Redação Brasil Tech News