OpenAI dobra base de usuários de agentes de IA e chega a 10 milhões com Codex e ChatGPT Work

A corrida por agentes de inteligência artificial capazes de executar tarefas complexas sem supervisão constante ganhou um novo capítulo. A OpenAI deve anunciar nesta terça-feira que suas duas principais ferramentas baseadas em agentes, o Codex, voltado à programação, e o ChatGPT Work, lançado recentemente para atender a um leque mais amplo de funções corporativas, somam juntas 10 milhões de usuários. O número representa praticamente o dobro do registrado no início do mês, um salto que evidencia a aceleração da adoção de assistentes de IA capazes de operar de forma mais autônoma.

O avanço reforça a estratégia da empresa liderada por Sam Altman de transformar o ChatGPT, historicamente conhecido como um chatbot de perguntas e respostas, em uma plataforma de trabalho que executa tarefas de ponta a ponta em nome do usuário, de pesquisas a criação de documentos e automações. O movimento também sinaliza a intensificação da disputa direta com a Anthropic, rival que vem investindo pesado na mesma frente.

O que está por trás do crescimento do ChatGPT Work

O salto na base de usuários está diretamente associado ao lançamento do ChatGPT Work, produto que ampliou o escopo de atuação dos agentes da OpenAI para além da programação, cobrindo tarefas administrativas, analíticas e de produtividade em geral. Enquanto o Codex já era consolidado como ferramenta voltada a desenvolvedores, o novo lançamento passou a atrair um público corporativo mais amplo, contribuindo para a duplicação do número de usuários ativos em poucas semanas.

Esse tipo de agente se diferencia dos chatbots tradicionais por não se limitar a responder perguntas: ele planeja etapas, executa ações e entrega resultados prontos, funcionando como um assistente digital capaz de tocar projetos com menor intervenção humana. É essa promessa, reduzir fricção e tempo gasto em tarefas operacionais, que tem sustentado o apetite do mercado corporativo por esse tipo de solução.

Contexto e cenário do mercado de agentes de IA

O movimento da OpenAI não acontece isoladamente. Ele faz parte de uma disputa mais ampla entre as principais empresas de inteligência artificial do mundo por liderança no segmento de agentes autônomos, considerado a próxima grande fronteira de monetização do setor, depois da fase inicial dominada por chatbots de uso geral.

A Anthropic, principal concorrente da OpenAI nesse território, já havia lançado o Cowork, ferramenta com proposta semelhante ao ChatGPT Work, também voltada a ampliar sua presença para além das soluções de IA aplicadas exclusivamente à programação. Em junho, a companhia apresentou ainda o Fable 5, primeiro modelo da linha Mythos (sua família mais avançada de modelos, anunciada em abril), ainda que com restrições em áreas sensíveis, como cibersegurança e riscos associados a ataques biológicos. A cautela reforça um alerta que a própria Anthropic já havia feito anteriormente sobre a capacidade de modelos avançados de identificar e explorar vulnerabilidades em sistemas críticos.

Do lado da OpenAI, o avanço dos agentes ocorreu logo após a liberação do GPT-5.6, nova versão do ChatGPT disponibilizada com aval do governo dos Estados Unidos no início deste mês.

O tabuleiro competitivo, porém, não se resume a OpenAI e Anthropic. Na semana passada, a chinesa Moonshot AI chamou atenção global ao lançar o modelo Kimi K3, que apresentou desempenho comparável ao dos principais sistemas ocidentais em testes de referência da indústria, um resultado que surpreendeu por vir de uma companhia até então ofuscada por outra concorrente chinesa, a DeepSeek, e que também provocou reações nos mercados acionários ao redor do mundo. Pouco antes, a chinesa Alibaba havia revelado uma prévia de seu principal modelo, o Qwen3.8 Max, reforçando o ritmo acelerado de lançamentos no setor.

Esse cenário mostra que a corrida por inteligência artificial deixou de ser bilateral. Empresas chinesas vêm reduzindo a distância técnica em relação a OpenAI e Anthropic, o que tende a pressionar ainda mais o ritmo de lançamentos e investimentos das companhias americanas.

Impactos para empresas, profissionais e usuários

Para empresas, a popularização de agentes como o ChatGPT Work e o Codex representa a possibilidade de automatizar fluxos de trabalho que hoje dependem de múltiplas etapas manuais, com potencial de reduzir custos operacionais e acelerar entregas. Áreas como desenvolvimento de software, análise de dados e produção de documentos corporativos tendem a ser as primeiras beneficiadas, já que são tarefas estruturadas e recorrentes, exatamente o perfil de trabalho em que agentes de IA costumam performar melhor.

Para profissionais do setor de tecnologia, o crescimento acelerado desses produtos reforça uma tendência já observada nos últimos anos: a necessidade de adaptação a ferramentas que não apenas sugerem código ou textos, mas executam tarefas completas. Isso muda a natureza de parte do trabalho técnico, que passa a exigir mais supervisão estratégica e validação de resultados do que execução manual repetitiva.

Já para os usuários finais e empresas que avaliam adotar essas ferramentas, o momento também exige atenção a pontos como segurança, governança de dados e limites de autonomia concedidos aos agentes, temas que ganham ainda mais relevância à medida que sistemas como o Fable 5 passam a operar sob restrições específicas justamente por questões de segurança cibernética.

Do ponto de vista concorrencial, o avanço da OpenAI no segmento de agentes é relevante porque a empresa parte de uma base de usuários muito maior que a de seus rivais: o ChatGPT segue com mais de 900 milhões de usuários semanais, herança direta do lançamento que impulsionou o boom da inteligência artificial generativa no fim de 2022. Essa base ampla funciona como uma vitrine natural para converter usuários do chatbot tradicional em usuários dos novos produtos agentivos.

Tendências e próximos movimentos no mercado de IA agentiva

O ritmo de lançamentos recentes sugere que a disputa entre OpenAI e Anthropic pelo mercado de agentes de IA deve se intensificar nos próximos meses, com ambas as companhias buscando ampliar a autonomia e a confiabilidade de seus sistemas. Ao mesmo tempo, o desempenho apresentado por modelos como o Kimi K3, da Moonshot AI, e a prévia do Qwen3.8 Max, da Alibaba, indica que empresas chinesas devem seguir como protagonistas relevantes nessa disputa, ampliando a pressão competitiva sobre as companhias americanas.

Outro ponto que deve ganhar espaço no debate do setor é o equilíbrio entre avanço tecnológico e segurança. As restrições aplicadas a modelos como o Fable 5 em áreas sensíveis mostram que as próprias desenvolvedoras reconhecem riscos associados a sistemas mais autônomos e poderosos, o que pode levar a um cenário de lançamentos acompanhados de camadas adicionais de controle, especialmente em aplicações corporativas críticas.

Para o mercado brasileiro de tecnologia, a expansão desses agentes tende a chegar por meio de integrações com plataformas corporativas já utilizadas por empresas locais, ampliando o acesso a ferramentas de automação antes restritas a equipes com maior capacidade de investimento em tecnologia proprietária.

Créditos

Fonte de referência: O Globo

Matéria produzida pela Redação Brasil Tech News com base em informações publicadas originalmente pelo veículo citado.

Assinatura: Redação Brasil Tech News

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