A robótica chinesa está prestes a ganhar um novo capítulo no varejo brasileiro. A Chery confirmou que trará ao país, ainda no último trimestre de 2026, dois produtos que simbolizam a aposta da montadora em automação e experiência de compra: um cão-robô voltado ao consumidor final e uma humanoide projetada para atuar dentro das concessionárias da marca. A iniciativa parte da AiMOGA Robotics, divisão de robótica ligada à Chery International, cuja operação no Brasil está sob responsabilidade da Omoda & Jaecoo.
Os dois equipamentos, batizados de Argos e Mornine, ainda dependem de homologação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) antes de chegarem oficialmente ao mercado nacional. Enquanto o processo regulatório avança, a expectativa da fabricante é iniciar a comercialização entre outubro e dezembro deste ano.
Robô da Chery no Brasil: o que já se sabe sobre Argos e Mornine
O lançamento reforça uma tendência que vem ganhando força globalmente: o uso de robôs não apenas em linhas de produção industrial, mas também em pontos de venda e no consumo doméstico. No caso da Chery, os dois produtos têm propósitos distintos, mas complementares dentro da estratégia da marca.
O Argos é o cão-robô que será vendido diretamente ao público, com foco em entretenimento doméstico. Segundo as informações repassadas pela fabricante, o equipamento é capaz de executar comandos básicos, como correr, sentar, deitar e cumprimentar com a pata, funções que remetem à interação com um pet tradicional, mas em formato robótico. Uma característica técnica relevante é que o Argos opera de forma autônoma, sem exigir conexão permanente à internet, o que facilita seu uso em qualquer ambiente doméstico, independentemente da qualidade do sinal de rede.
Já a Mornine tem uma função comercial: atuar como uma espécie de anfitriã digital dentro das lojas físicas da marca. Diferentemente do cão-robô, ela depende de conexão com plataformas em nuvem para funcionar, o que permite conversar com clientes, apresentar detalhes técnicos dos veículos, esclarecer dúvidas e, quando necessário, direcionar o atendimento a um vendedor humano. A humanoide também é capaz de caminhar, cumprimentar visitantes e realizar movimentos que buscam simular gestos naturais, incluindo coreografias simples.
De acordo com a fabricante, a Mornine foi a primeira humanoide do mundo a obter dupla certificação da União Europeia, tanto para hardware quanto para software, atendendo a exigências de segurança, cibersegurança e proteção de dados, um dado relevante para um produto que interage diretamente com informações de clientes em ambiente comercial.
Em termos de autonomia, ambos os robôs compartilham uma limitação semelhante: duas horas de funcionamento contínuo, com necessidade de recarga em estações próprias desenvolvidas para cada modelo.
Contexto: como a robótica de consumo chegou até aqui
A entrada da Chery no segmento de robótica não é um movimento isolado. Nos últimos anos, fabricantes chinesas de diferentes setores, da eletrônica à mobilidade, têm diversificado seus portfólios para incluir robôs humanoides e quadrúpedes, tanto como vitrine tecnológica quanto como produto comercial direto. A lógica é clara: montadoras que já dominam engenharia de sensores, baterias, inteligência artificial embarcada e manufatura em escala encontram na robótica uma extensão natural de seu know-how.
No Brasil, esse tipo de produto ainda é incipiente fora de aplicações industriais e de pesquisa. A chegada de um cão-robô comercial e de uma humanoide voltada ao varejo, portanto, marca um dos primeiros movimentos de peso de uma montadora global oferecendo robótica de consumo diretamente ao público local, não apenas como demonstração tecnológica, mas como produto à venda.
A AiMOGA Robotics afirma já ter entregue mais de 2 mil unidades entre robôs humanoides e cães-robô em mais de 60 países, o que indica que a operação brasileira se soma a uma estratégia de expansão internacional já em andamento, e não a um projeto experimental isolado.
Vale destacar que a informação divulgada inicialmente sobre o status regulatório do produto foi posteriormente corrigida pela própria empresa: a homologação junto à Anatel ainda está em andamento, e não concluída, com a comercialização prevista apenas para o último trimestre do ano.
Impactos para empresas, profissionais e consumidores
Para o varejo automotivo, a chegada de uma humanoide como a Mornine às concessionárias sinaliza uma possível mudança na forma como marcas pensam a experiência de compra. Robôs capazes de apresentar especificações técnicas, tirar dúvidas iniciais e direcionar clientes podem funcionar como uma camada complementar ao atendimento humano, especialmente em horários de maior movimento ou em lançamentos de produtos, quando a demanda por informação costuma ser mais intensa.
Para profissionais de vendas e atendimento, a novidade levanta uma questão recorrente sempre que a automação avança sobre funções de interação direta com o público: o robô tende a ser posicionado como um primeiro ponto de contato (recepção, triagem de dúvidas simples e apresentação de recursos), deixando as etapas de negociação e fechamento de venda a cargo da equipe humana. Ainda assim, a adoção desse tipo de tecnologia em larga escala pode, com o tempo, redesenhar processos internos das concessionárias.
Já para o consumidor final, o Argos representa a chegada de um produto de robótica de entretenimento a um público mais amplo, um segmento que até então tinha presença limitada no mercado brasileiro fora de nichos específicos de tecnologia e colecionismo. O apelo aqui está menos ligado à funcionalidade prática e mais à experiência: um “pet robótico” capaz de interagir e executar comandos, sem depender de internet para operar.
Do ponto de vista de segurança e privacidade, o fato de a Mornine operar conectada a plataformas em nuvem e lidar com interações que podem envolver dados de clientes reforça a importância da certificação de proteção de dados mencionada pela fabricante. É um ponto que tende a ganhar mais atenção à medida que produtos desse tipo se popularizam em ambientes comerciais no Brasil, país com legislação própria de proteção de dados pessoais (LGPD) que se aplica a qualquer coleta e tratamento de informações de usuários, inclusive por sistemas automatizados.
Tendências e próximos movimentos da robótica de consumo no Brasil
A chegada dos robôs da Chery ao país deve ser observada como parte de um movimento maior de popularização da robótica voltada ao consumidor, impulsionado pela combinação entre inteligência artificial mais acessível, redução de custos de componentes e a entrada de fabricantes chinesas de grande escala nesse mercado.
Alguns desdobramentos são esperados nos próximos meses:
- Possível queda de preços, caso a demanda inicial valide o modelo de negócio e outras marcas passem a competir no mesmo nicho.
- Maior escrutínio regulatório, à medida que a Anatel e outros órgãos avaliam produtos com conectividade e capacidade de processamento de dados sensíveis.
- Expansão da presença de robôs humanoides em pontos de venda, seguindo um movimento já observado em outros países, especialmente em setores como varejo, hotelaria e eventos corporativos.
- Novos entrantes no segmento, com outras montadoras e empresas de tecnologia avaliando produtos semelhantes para o mercado brasileiro, dado o histórico de rápida adoção de novidades tecnológicas por parte do consumidor local.
Por ora, o próximo passo concreto é a conclusão do processo de homologação junto à Anatel, etapa que definirá a data exata de lançamento comercial dos dois produtos no país.
Créditos
Fonte de referência: O Globo
Matéria produzida pela Redação Brasil Tech News com base em informações publicadas originalmente pelo veículo citado.
Assinatura: Redação Brasil Tech News







