Menos de um ano após sua estreia na bolsa, a SpaceX voltou a chamar atenção de investidores e analistas de Wall Street. Projeções divulgadas por casas como Morgan Stanley e RBC indicam que a empresa fundada por Elon Musk pode multiplicar seu valor de mercado atual, hoje próximo de US$ 1,9 trilhão, chegando a patamares de até US$ 10 trilhões nos próximos anos, um salto sustentado principalmente pela expansão operacional do foguete reutilizável Starship.
O otimismo chama atenção porque não vem acompanhado de previsões de lucro imediato: a companhia não deve gerar fluxo de caixa livre por pelo menos mais uma década, segundo as próprias projeções do mercado. Ainda assim, o tamanho dos planos espaciais da SpaceX tem sido suficiente para sustentar avaliações bilionárias e, agora, a possibilidade de romper a marca de trilhões.
Por que analistas de Wall Street projetam valor de mercado recorde para a SpaceX
O ponto central das novas estimativas é a escala de operação prevista para o Starship. Segundo o analista Adam Jonas, do Morgan Stanley, o veículo deve realizar cerca de 50 lançamentos em 2027, número que poderia saltar para 6 mil lançamentos anuais até 2040, um volume que hoje soa quase inédito para qualquer programa espacial, público ou privado.
Caso esse ritmo se confirme, a SpaceX passaria a colocar em órbita, sozinha, um volume de carga estimado em 600 mil toneladas métricas por ano. Para dar conta dessa demanda, a companhia precisaria operar uma frota superior a 200 unidades do Starship, sustentada por aproximadamente 8 mil motores em funcionamento simultâneo, números que ajudam a explicar por que o mercado está tratando o programa como um divisor de águas na indústria aeroespacial, e não apenas como mais um avanço incremental.
O consenso de mercado hoje aponta um preço-alvo médio de US$ 242 por ação, o que equivaleria a um valor de mercado próximo de US$ 3,2 trilhões, já bem acima da avaliação atual. Jonas trabalha com uma projeção mais otimista, de US$ 300, enquanto Ken Herbert, da RBC, recomenda compra com preço-alvo de US$ 225.
Contexto: da estreia bilionária à corrida por escala industrial
Quando estreou na bolsa, a SpaceX já havia sido avaliada em cerca de US$ 1,7 trilhão, um valor considerado alto mesmo para os padrões do setor de tecnologia. Em poucos meses, essa avaliação subiu para os atuais US$ 1,9 trilhão, reforçando a percepção de que investidores enxergam a empresa menos como uma operadora tradicional de lançamentos e mais como uma futura plataforma de infraestrutura espacial em larga escala.
Um dos argumentos mais citados por analistas para justificar esse otimismo é o modelo de produção da companhia. Diferentemente de fabricantes tradicionais do setor aeroespacial, como a Boeing, que depende de fornecedores externos para cerca de 60% de seus componentes, a SpaceX produz internamente aproximadamente 90% das peças utilizadas em seus foguetes. Essa integração vertical, segundo Herbert, reduz gargalos logísticos e acelera a capacidade de ampliar a produção em ritmo acima da média histórica do setor.
Após visitar pessoalmente a fábrica da empresa em Starbase, no Texas, o analista da RBC descreveu um nível de automação e industrialização que classificou como diferente de tudo que já havia observado no setor. Ele pondera, no entanto, que atrasos são praticamente inevitáveis em projetos de tamanha complexidade, um risco que segue no radar de quem acompanha a companhia de perto.
Outro fator estrutural por trás das projeções é a redução no custo de acesso ao espaço proporcionada pelo Starship. Enquanto lançamentos tradicionais custam milhares de dólares por quilograma transportado, a proposta do foguete reutilizável é levar esse custo para a casa das centenas de dólares, uma mudança que pode tornar viáveis operações que hoje são economicamente inacessíveis, da colocação de constelações de satélites a futuras missões de exploração espacial.
Impactos para empresas, investidores e o setor espacial
Para o mercado financeiro, a possibilidade de uma companhia atingir US$ 10 trilhões em valor de mercado, patamar ainda não alcançado por nenhuma empresa listada, reforça o apetite de investidores institucionais por ativos ligados à chamada “nova economia espacial”. Fundos e gestoras que já têm posições na SpaceX tendem a acompanhar de perto a evolução do cronograma de lançamentos do Starship como principal termômetro para reavaliar suas projeções.
Para concorrentes diretos e indiretos, de fabricantes de foguetes a operadoras de satélites, o cenário projetado pressiona o setor a acelerar seus próprios ganhos de eficiência produtiva. A comparação feita por analistas entre a integração vertical da SpaceX e o modelo mais dependente de fornecedores da Boeing ilustra um debate mais amplo sobre qual modelo de manufatura aeroespacial tende a prevalecer nos próximos anos.
Já para profissionais do setor de tecnologia e engenharia aeroespacial, a expansão prevista da frota de Starships e o aumento expressivo na cadência de lançamentos indicam forte demanda por mão de obra especializada em automação industrial, propulsão e manufatura de precisão, áreas que devem ganhar relevância à medida que a produção em escala se consolida.
Para consumidores e empresas que dependem de conectividade via satélite, logística espacial ou serviços que utilizam infraestrutura orbital, a queda projetada no custo por quilograma lançado pode, no médio prazo, se traduzir em serviços mais acessíveis, embora analistas não tenham detalhado prazos específicos para essa transição de custos.
Tendências e próximos movimentos da SpaceX no mercado
O principal fator a ser monitorado nos próximos trimestres é o ritmo real de lançamentos do Starship frente às metas projetadas para 2027. Qualquer atraso relevante no cronograma, algo que o próprio Ken Herbert considera provável em algum grau, tende a impactar diretamente as revisões de preço-alvo feitas por casas de análise.
Também deve ganhar destaque o acompanhamento da capacidade produtiva da fábrica em Starbase, já que a meta de operar mais de 200 unidades do Starship e cerca de 8 mil motores depende diretamente da manutenção do ritmo de industrialização observado por analistas que visitaram as instalações.
Por fim, o mercado deve seguir de olho na evolução do valor de mercado da companhia como indicador de confiança em relação à viabilidade de longo prazo do plano espacial de Elon Musk, especialmente considerando que a SpaceX ainda não deve gerar fluxo de caixa livre no curto ou médio prazo.
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Fonte de referência: InfoMoney
Matéria produzida pela Redação Brasil Tech News com base em informações publicadas originalmente pelo veículo citado.
Assinatura: Redação Brasil Tech News